Bursite no Ombro: Entenda a Inflamação e Como Aliviar a Dor

O que é a Bursite no Ombro?
A bursite no ombro é a inflamação da bursa subacromial, uma pequena bolsa cheia de líquido sinovial localizada entre o osso superior do ombro (acrômio) e os tendões do manguito rotador. A principal função da bursa é atuar como um "amortecedor" e reduzir o atrito entre os ossos, tendões e músculos durante o movimento da articulação. Quando essa estrutura inflama, ela incha, perde sua capacidade de deslizamento suave e causa dor intensa, caracterizando o quadro de bursite, que frequentemente vem acompanhado da tendinite do manguito rotador (síndrome do impacto).
Causas e Fatores Desencadeantes
A causa mais comum da bursite no ombro é o movimento repetitivo ou a sobrecarga contínua da articulação, especialmente em atividades que exigem a elevação dos braços acima da linha da cabeça. Profissões como pintores, carpinteiros e atletas de esportes como natação, vôlei e tênis são altamente suscetíveis. Além do esforço repetitivo, traumas diretos (como quedas sobre o ombro), má postura crônica (ombros projetados para frente), envelhecimento natural dos tecidos e alterações anatômicas no formato do osso acrômio (que diminuem o espaço para a bursa) são fatores que desencadeiam a inflamação.
Sintomas: A Dor Noturna e a Perda de Força
Os pacientes com bursite relatam uma dor difusa na parte frontal e lateral do ombro, que muitas vezes se irradia para o braço. A dor piora caracteristicamente ao tentar levantar o braço lateralmente ou ao realizar movimentos como pentear o cabelo, vestir uma camisa ou alcançar objetos em prateleiras altas. Um dos sintomas mais debilitantes é a dor noturna, que se agrava ao deitar sobre o ombro afetado, prejudicando gravemente a qualidade do sono. Fraqueza leve e sensação de "fisgadas" também são relatos comuns no consultório.
Diagnóstico e Tratamento Especializado
O diagnóstico é eminentemente clínico, complementado por exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética para avaliar a extensão da inflamação e descartar rupturas de tendão. O tratamento foca em desinflamar a bursa e corrigir a biomecânica do ombro.
A fase aguda exige repouso dos movimentos que causam dor, uso de compressas de gelo e medicamentos anti-inflamatórios. A fisioterapia é o pilar central da reabilitação, utilizando recursos analgésicos e, posteriormente, exercícios para fortalecer os músculos estabilizadores da escápula e do manguito rotador, melhorando o espaço subacromial. Em quadros de dor refratária, a infiltração com corticoides guiada por ultrassom oferece um alívio rápido e duradouro. O tratamento cirúrgico (artroscopia para remoção da bursa inflamada) é indicado apenas em uma minoria de casos crônicos.
Fontes e Referências
Escrito por Dr. Rodrigo Chambarelli
Especialista em Ortopedia e Traumatologia pelo Instituto de Ortopedia da Barra (IORB).
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